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O Ventor observa o Passado

caminhando pela História

O Ventor observa o Passado

caminhando pela História

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O Crack des Chevaliers, na Síria, que já enfrentou tudo, até o Dayesh. Foi também conhecido como a Fortaleza dos Curdos (os primeiros a constuílo) e só no século XIX, passou a ser conhecido como Fortaleza dos Cavaleiros



O Ventor saiu das trevas ... para caminhar entre as estrelas. Ele sonha, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continua a ser belo. Ele vai ao encontro do Sol, tal como o vexilóide de Alexandre o Magno


? Bem, depois ... vamos caminhando!


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02.08.03

Trilhos de Mundos


Ventor e Quico

Apresento-vos a caminhada do Ventor por terras de Pelágio, Covadonga-Astúrias

Amigos, deixo-vos aqui um rascunho de uma carta do Ventor enviada para o Pelágio, em Covadonga, quando este se preparava para enfrentar, numa batalha de vida ou de morte, os mouros que, desde Gibraltar, tinham subido, anafadamente, de monte em monte, de serra em serra, de rio em rio, para terminarem, uma vez por todas, com a resistência que os cristãos estavam a levar a cabo, contra as hostes dos glutões de além-Atlas.

Esta carta foi escrita pelo Ventor, em latim, numa casca branca de vidoeiro, uma vez que ainda não tinham sido descobertas as pastas de celulose, nem havia papiros na Península Ibérica, nem folhatos que envolviam as espigas de milho. O Ventor chegou a pensar pedir aos seus amigos incas, folhatos de espigas de milho para escrever a suas missivas em material leve mas, ao verificar que a casca do vidoeiro era ideal para escrever, utilizando tinta azul sobre ela, foi assim que passou a proceder. Seria terrível enviar como missiva uma mensagem numa pesada rocha de ardósia, por montes e vales pois, nessa altura, ainda passavam despercebidos os futuros caminhos de Santiago. Entre as várias lenga-lengas do Ventor, estava esta passagem:

«Amigo Pelágio,

Quando o meu amigo Alexandre venceu os persas e chegou à capital do, então, mais poderoso império do mundo, o que ele quis foi descansar e relaxar! Habituado a dormir ao relento nos quase desertos gélidos da Anatólia e infernais do Médio Oriente, atirou com o corpo para cima de uma tarimba e disse: "contas, só amanhã"!

Como vocês devem calcular, por aí, a guerra sempre foi feita de pilhagens e Alexandre, era um grande homem, bastante evoluído para a época, mas fazia parte da praxe da guerra, aquela famigerada leviandade dos homens de quererem pilhar. Pilhar tudo! Fosse o que fosse, mesmo que, de seguida, tivessem de atirar com as matérias pilhadas para o lado, devido ao estorvo em que se tornavam.

Mas Alexandre, fazia-o e, ao mesmo tempo, doía-lhe, no seu interior, esta maneira de estar na malfadada guerra. Os despojos de guerra eram sagrados e era uma das maneiras de pagar aos homens que lutavam a seu lado.

No entanto, apesar de muito cansado e não querer fazer contas, voltou-se para mim e disse: "Ventor, acho que vou ficar com estes instrumentos! Estão a fazer-me cá uma cobiça! Só em lembrar-me que esse sacana do Dario se deleitava ao som desses instrumentos põe-me raivoso! Acho que vou levar estas bugigangas comigo até ao fim do mundo"!

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Estátua de Pelágio, em Covadonga

Mas os persas quiseram ser prazenteiros e logo imaginaram inventar um grupo de músicos com os melhores instrumentos musicais e partituras que havia na época! Alexandre, ao ouvir estes instrumentos sentiu que estava, realmente, no paraíso e que a sua mania de ser um "deus" tornava-se cada vez mais uma certeza, pois só os deuses poderiam ouvir aquelas melodias!

Entre esses instrumentos, fixei uns quantos, mas não poderei enviar-te as suas figuras ou alguns esboços porque, não tenho tempo nem jeito para o desenho e, porque as fotos, só alguns séculos mais tarde vão ser inventadas.

Quando esse mouro pimpão chegar junto dos teus homens e for derrotado, pois é assim que vai ser, obriga-o a deixar para vós os instrumentos de música que eles, também, tal como os persas do tempo de Alexandre, têm e sabem usar. Entre os seus instrumentos estão o alaúde, a pandeireta, a flauta, e mais umas coisas que eles herdaram dos persas e que foram passando de mão em mão e, também, foram sendo transformados. Obriga-os a tocar, cantar e dançar para ti, porque isso vai-te divertir e, depois, não precisas de os matar a todos. Vamos ter de aprender a conviver, por aqui, muitos anos, uns com os outros porque, para além do mais, é do confronto de civilizações que, um dia, sairá um mundo melhor».

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Mulher a tocar santur, numa pintura do Palácio de Hasht-Behesht, em Isfahan, Irão

Depois o Ventor enumerou, para Pelágio das Astúrias, alguns instrumentos com que Alexandre ficou:

«uma cítara, com quatro cordas e, a seu lado, encontrava-se uma espécie de pandeireta e os livros da sabedoria;

Um santar com 72 cordas arrumadas em grupos de quatro;

Um Tar com 6 cordas, 5 de aço e uma de latão;

Um Kamanche com 4 cordas metálicas e a caixa de madeira, em forma de hemisfério, é coberta por uma membrana de pele de carneiro;

Uma Nay, uma espécie de flauta com normalmente, seis buracos à frente e um atrás. Este é um dos meus instrumentos musicais favoritos, quando é bem tocado. Normalmente, o som que sai de uma flauta é motivado pela tristeza contida no espírito de quem a usa;

Um Dombak, é o "chefe" dos instrumentos de percursão da música clássica pérsica. É um bombo cravado numa peça de madeira forrada com pele de carneiro por cima e com abertura por baixo;

Outra rababa, tal como a que Alexandre tinha comprado ao beduíno.

Pintura: os músicos da Caravágio

Estes são alguns dos instrumentos musicais que fizeram as delícias de Alexandre por terras da Ásia ajudando, assim, a mitigar a vontade que se fazia sentir no seu espírito e no seio dos seus homens, de voltarem, apressadamente, aos vales e às montanhas da Macedónia. Não eram muitos mas, já quase davam para fazer uma daquelas orquestras que um dia irão valorizar os grandes salões burgueses que transformarão a Europa».

Quanto ao resto, vocês já sabem! Pelágio das Astúrias, venceu por duas vezes os mouros comandados por Munuza. A primeira vez, em Covadonga e, a segunda vez, em Proaza. Aqui, em Proaza, Munuza, perdeu a vida em combate, mas como já sabia que o Ventor aconselhara Pelágio a ficar com os instrumentos musicais que pudesse, quebrou, cheio de raiva, o seu alaúde contra uma rocha. Há quem diga que, ainda hoje, quem lá passar, ainda poderá ouvir o som terrível do alaúde a quebrar-se e ver uma moura encantada, de braços levantados a dançar e a tocar pandeireta, enquanto um soldado mouro chora Munuza com a sua flauta.


Caminhadas do Ventor, por Trilhos de Sonhos e de Ralidades, cujas histórias contou ao Quico e o Quico contou-as, para vós, brincando. Foi sob o Tecto do seu amigo Apolo que aprendeu a conhecer os seus amigos, ... como o deus nórdico Freyr e o seu javali Gullinbursti, entre outos

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