... por Alexandre Magno.

 

Fui ao baú do Quico e tinha lá isto. Mas tem ainda mais!

 

Já vos contei, por aqui, algumas histórias que ouvi ao Ventor sobre as guerras de Alexandre Magno. Creio que já vos falei no essencial das grandes batalhas terrestres dos macedónios de Alexandre, contra os persas de Dario, como a Batalha de Granico, a Batalha de Isso, a Batalha de Gaugamela, a Batalha de Hidaspes, ... mas, quase ninguém liga às batalhas navais de Alexandre.

 

Mas o Ventor falou-me de vários cercos à cidade fortaleza de Tiro, levados a cabo por várias potências do mundo antigo e alguns duraram alguns anos e, por várias razões, as forças sitiantes tiveram de levantar o cerco e retirar.

 

 

O Ventor contou-me que, o cerco de Alexandre à Fortaleza de Tiro, durou cerca de sete meses (foto Wiki)

 

Alexandre Magno, decidiu levar a guerra aos persas, por razões já explicadas noutras histórias que vos contei, mas ele sabia que, avançando com as suas forças pela Ásia Menor, apoiado pelos estados gregos (excluindo Esparta), deixara para trás, poderosos inimigos (e, alguns deles, já estavam à frente a apoiar os persas) que não viam com bons olhos a ascendência do macedónio na gestão política da coisa grega. Assim pensava que as suas forças deviam atacar numa abrangência total, não descorando, portanto, o poder naval dos seus inimigos persas e, também, o poder naval dos aliados dos persas.

 

A Fortaleza de Tiro, situada numa pequena ilha frente à costa da Fenícia (territórios que hoje formam o Estado do Líbano), separada do continente por cerca de 700 mts de mar com uma profundidade de cerca de dois metros nesse local, tinha sido, através dos séculos, praticamente inexpugnável e, conquistando-a, ele obteria uma base estratégica de grande importância para a sua caminhada na guerra, entre os gregos e os persas.

As cidades fenícias do continente, como Arado, Biblos e Sídon, acabaram por aceitar o domínio macedónio. Tiro enviou aquilo que hoje poderíamos chamar uma comissão ao encontro de Alexandre e comunicaram-lhe que os tirenses obedeceriam a tudo que Alexandre ordenasse e Alexandre concordou e disse aos enviados de Tiro que pretendia entrar na cidade e homenagear Hérculos (o Melkart dos tirenses) por aculturação. Os tirenses disseram que obedeceriam às outras propostas de Alexandre mas não admitiriam, nem persas, nem macedónios, na sua cidade. Ora Tiro, tinha uma poderosa frota naval na época e a sua flotilha, a mais forte da frota de Farnabazo, o Comandante Naval dos Persas e, essa frota era ainda apoiada por Cartago, a sua colónia, onde hoje fica a Tunísia.

 

Mas, Alexandre, tinha uma estratégia bem delineada! Como o Ventor fazia as suas caminhadas por aquela zona, ia observando o comportamento dos beligerantes em confronto e, Alexandre, sabendo disso e sabendo que os tirenses também não tinham vontade de permitir ao Ventor, entrar na sua cidade fortaleza, convidou o Ventor a assistir a um discurso político-militar que ia fazer para os seus generais, onde explicaria tudo sobre a sua estratégia. Alexandre explicou que tinham de avançar sobre a Pérsia na perseguição de Dario até o vencer mas, deixar a grande frota persa à vontade, no Mediterrâneo, apoiada por bases como Tiro, Chipre e Egipto, seria entregar o ouro aos bandidos. Segundo Alexandre, essa frota com alguns reforços e com a possível colaboração de Esparta e a indecisão de Atenas, poderia voltar à Grécia onde lançaria novos campos de batalha, obrigando Alexandre a desviar-se do seu objectivo ou a dividir as suas forças. Também não seria boa ideia avançar rumo ao Egipto e deixar atrás, a frota de Tiro a ameaçar a sua retaguarda e as suas linhas de comunicação

 

 

Foi a guerra total para a época, nesta pequena ilha, frente à costa da Fenícia (foto Wiki)

 

Por essas e outras razões, haveria a necessidade absoluta de capturar a cidade fortaleza de Tiro e a sua frota, obter o apoio das frotas da Fenícia e de Chipre, fosse porque meios fosse e conquistar o Egipto, obtendo, assim, a talassocracia completa nos mares, com a frota greco-macedónica a comandar os apoios das marinhas fenícia, cipriota e egípcia.

Todos se convenceram do hêxito desta estratégia e, Alexandre, mais ainda, quando sonhou que Hércules o guiaria até à cidade de Tiro.

 

Este cerco durou de Janeiro a Julho do ano de 332 A.C. e disse-me o Ventor, foi um terrível cerco, cheio de engenhosidade e heroísmo entre os beligerantes, mas o seu amigo Alexandre levou a melhor. Alexandre trabalhou ao lado dos seus homens, na construção de um aterro com cerca de 700 metros que permitiria levar as catapultas até perto das muralhas, mas os tirenses com as suas catapultas, arqueiros e trirremes, infligiram baixas nos homens de Alexandre e fizeram interromper os trabalhos. 

Porém, Alexandre que mandou construir torres de duas rodas, atacou as muralhas de Tiro e as trirremes com tiros de catapulta, conseguindo fazer o aterro e aproximar-se das muralhas mas os tirenses usando um enorme brulote incendiado e empurrado em direcção do aterro, incendiou as torres e as tropas de apoio incendiaram todos os equipamentos de cerco das forças de Alexandre.

 

 

Mas, os macedónios e os gregos, comandados sempre por Alexandre, ficaram os senhores da ROCHA (foto Wiki)

 

Alexandre deixou os seus homens na construção de um aterro mais largo, mais equipamentos de cerco e torres e, como os tirenses dominavam o mar, Alexandre foi em busca de trirremes para reforçar a sua marinha e, assim, pelo verão de 332 A.C., 80 navios de guerra fenícios e 120 navios de guerra cipriotas, submeteram-se a Alexandre que adoptara uma atitude pacífica de liberalização das suas gentes, reunindo uma poderosa frota naval na cidade de Sídon a cerca de 30-40 kms de Tiro e não descorando a segurança das madeiras dos cedros do Líbano. Os tirenses lançaram rochedos junto às muralhas para que os barcos de Alexandre não se aproximassem das muralhas, mas Alexandre mandou arrastar essas rochas de lá e navios carregados com vários equipamentos de cerco atacaram as muralhas da grande fortaleza. Os tirenses lançaram um ataque à frota cipriota num dos seus ancoradouros com algum sucesso, mas Alexandre interceptou-os e destruiu a maior parte deles, ganhando assim o controlo do mar e entretinha as suas forças a testar vários pontos da muralha para um futuro ataque, ao mesmo tempo que mantinha os tirenses sob uma tensão psíquica destruidora.

 

Assim, depois de tanta pressão, os fenícios destruíram os botalós que bloqueavam um dos ancoradouros e destruíram os navios tirenses. Os cipriotas capturaram mais um ancoradouro e conseguiram entrar na cidade enquanto os macedónios com as suas máquinas de cerco, em navios e torres, destruíam as muralhas e iniciaram o assalto cheios de ódio por os tirenses terem matado os macedónios aprisionados e os terem lançado ao mar, em frente do seu acampamento. No final da contenda, foram calculados 8.000 tirenses mortos e o resto da população, cerca de 30.000, feitos escravos e os macedónios terão tido cerca de 400 mortos e cerca de 3.000 feridos.

 

O Rei de Tiro, os seus nobres e alguns cartagineses enviados para proteger Tiro, numa missão sagrada, foram perdoados junto ao altar de Hércules.

 

 

O Herácles grego, ou Hércules romano, ou MelKart dos tirenses, frequentemente chamado Baal, era o Senhor de Tiro (foto Wiki)

 

Depois de destruída a fortaleza de Tiro, Alexandre seguiu para o Egipto, onde se proclamou Faraó, tarefa nada difícil porque os egípcios tinham alguma consideração pelos gregos e consideraram que os gregos os foram libertar dos persas dominadores.

Foi a partir da tomada de Tiro que Alexandre Magno se dedicou à rababa. Pode ver aqui,Alexandre e a Rababa

 

Caminhadas do Ventor, por Trilhos de Sonhos e de Ralidades, cujas histórias contou ao Quico e o Quico contou-as, para vós, brincando. Foi sob o Tecto do seu amigo Apolo que aprendeu a conhecer os seus amigos, ... como o porco

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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:43