O Ventor continua a contar-me coisas sobre o seu amigo Alexandre, o Magno.

 

 

 Música de Vangelis - Filme de Alexandre Magno - Across the Montains

 

Diz-me o Ventor que, depois do encanto das rababas, dos tambores persas e de outros instrumentos de música, Alexandre não tirava os olhos de Rossana, a filha do rei Dario, quando por baixo do seu véu, os olhos negros e lindos de Rosana o admiravam enquanto se contorcia toda em danças que Alexandre não conhecia ainda.

Aliás, desde que Alexandre saiu da sua Macedónia até encontrar a rababa, a única música que Alexandre tinha ouvido foi o rufar dos tambores de guerra na preparação para dar início às batalhas onde se jogavam as vidas dos seus soldados e a sua, bem como as vidas dos seus inimigos. Daí o Ventor dizer que as músicas das rababas e as danças de Rossana serem momentos de paz na cabeça belicosa de Alexandre que fervilhava na preparação de outras batalhas contra outros beligerantes que, nas fronteiras da Índia, se preparavam para atacar as fraldas do Império Persa do qual, pelas força das lanças macedónicas, Alexandre se tornara o legítimo herdeiro.

 

 

 

A cavalgada era para leste

 

Por isso, Alexandre caminhando naquele que fora a obra prima de Nabucodonosor II, da velha Babilónia, se preparava para contornar o Golfo Pérsico e levar a guerra aos seus novos inimigos que, comandavam os seus exércitos sentados sobre os dorsos de elefantes indianos. Aliás, vindos dessas paragens, já o Dario os tinha utilizado, como "cavalaria", contra as tropas de Alexandre!

 

Entre as belas flores dos jardins que tinham sido de Nabuco, ao cair da noite, uma noite daquelas em que Diana mais brilhava, caminhavam lado a lado, Ventor e Alexandre. Alexandre dizia ao Ventor que teria de levar a guerra muito para além da Bactriana  e conter as ameaças de exércitos diabólicos de que nem fazia a mínima ideia da sua existência. O Ventor recomendava calma a Alexandre pois os seus homens estavam cansados de tanta batalha e a próxima caminhada iria ser muito longa e muito difícil e transformaria esse empreendimento bélico na pior façanha que alguma vez os seus homens teriam imaginado. Mas, então, Alexandre ainda estava embrenhado de poderosas energias e preparado para levar a sua fúria incontida até terras indianas onde novos inimigos se preparavam para mordiscar os calcanhares do maior império do mundo de então.

 

 

Nas suas batalhas, montado sobre o Bucéfalo, Alexandre sonhava ser o maior de todos os reis que, um dia, tal como Nabopolassar, Nabucodonosor II, Círus I e outros, pisaram todas as terras que envolviam Babilónia

 

A ida fora difícil, as batalhas não tinham sido nada fáceis mas, o regresso iria ser a pior de todas as caminhadas. Alexandre, como já sabem, regressava com o Bucéfalo ferido da sua última batalha e, as suas tropas, extenuadas, homens e cavalos só sonhavam com as montanhas gregas da Macedónia, da Tessália, ... de toda a Grécia. Eles tinham saudades de "pular" sobre as ilhas do Mar Egeu e "saltar" sobre o mar azul! Todos eles, terrivelmente debilitados, pedem a Apolo para lhes ceder uma pequena quantidade da sua energia e do seu saber para os levar de volta a casa. Alexandre ao ver caído para sempre o seu fiel companheiro de 13 anos de ferozes batalhas, só pensava seguir os trilhos de Apolo, em direcção ao Ocidente.

Sem energias que lhe dessem ânimo, ele olhava Bucéfalo estendido no chão da morte e chorava! Chorava pelo seu fiel amigo estendido, inerte, virado para oeste, recordando o mundo que tinha sido o seu.

 

Bucéfalo esperava, antes de morrer que, com a ajuda do Senhor da Esfera, ainda voltaria a comer as ervas tenras da sua Tessália, nos vales e nas montanhas onde tinha sido criado com toda a liberdade possível para um belíssimo potro que viria a ser grande na companhia de Alexandre e o mais famoso cavalo da História.

Quando Alexandre e os seus homens enterraram Bucéfalo, Alexandre já não tinha cavalo suplente! Sentado numa pedra, Alexandre suspirava pelo seu amigo, olhava as montanhas negras da Batriana, e via Apolo começar a descer por trás delas em direcção à sua Macedónia e, por cima das sombras das montanhas que Apolo projectava de encontro a Alexandre e o grupo, o céu ficava colorido de um vermelho abrasador.

 

Naquele momento, envolvido por uma grande tristeza, Alexandre olhava para Ocidente, recordava Pella, recordava o lugar onde seu pai fora morto por traidores, recordava a sua primeira grande Batalha, em Queroneia, contra gregos desavindos e comandados por generais que tinham sido formados por Epaminondas também amigo do Ventor, à frente do Batalhão Sagrado e pensava na máquina perfeita que ele e Bucéfalo tinham formado.

Não esquecia como o Ventor ficou furioso ao ter conhecimento da irracionalidade de Alexandre ao mandar destruir tudo, em Queroneia e matar toda a gente, poupando apenas um filósofo por quem tinha alguma consideração.

Ele sempre dizia ao Ventor que, com o Bucéfalo formavam um corpo só! Bucéfalo sabia tudo que Alexandre pretendia nos momentos da peleja. Como esquivar-se às armas inimigas, como se lançar impetuosamente sobre o lado frágil do inimigo e Alexandre sabia complementar o seu cavalo, destroçando todos os inimigos.

 

Agora, para Alexandre, tudo tinha acabado! Só, no meio de homens desesperados e imbuídos de um sonho comum, Alexandre sentia-se destroçado. Um soldado macedónio, desce da sua montada que segura pelas rédeas e dirige-se a Alexandre: «Majestade, segure as rédeas do meu cavalo, monte-se nele e cavalgue para Pella; a Macedónia espera por nós».

Alexandre olhou-o intensamente e virou-se para as montanhas a oeste. «Espera, não espera, Majestade»? Voltou a insistir o macedónio.

Alexandre segurou nas rédeas desse cavalo, virou-se para Oeste e vê Apolo sobre as montanhas como que sorrindo para lhe dar alento. O Ventor sorri também para Alexandre, olha-o nos olhos e volta a olhar as montanhas onde Apolo está a desaparecer no meio do horizonte vermelho. Mas Alexandre não tira os olhos das montanhas, continuando a olhar o Ocidente e apenas balbucia uma palavra baixinho que só o Ventor compreendeu: «Macedónia»!

Mas o soldado macedónio, até ali, dono do cavalo, volta a fixar os olhos em Alexandre poir pareceu-lhe ter ouvido também a palavra «Macedónia» e baixou a cabeça num sinal de aprovação. Alexandre olhou-o e sorriu!"

 

Alexandre montou o cavalo do macedónio e o Ventor saltou para cima do Antar, estendendo o braço para o soldado macedónio que o agarrou e saltou também quase automaticamente e iniciaram todos viagem rumo a Oeste até encontrarem um abrigo junto a umas rochas que os protegeram durante a noite de um vento arrasador que soprava do Indocuche.

 

Foi terrível caminhar pela Batriana, rumo a Oeste para voltarem a atingir a velha e linda cidade de Babilónia.

Muitos soldados ficaram pelo caminho, mortos de sede de frio e de cansaço, mas sempre no rasto de Apolo virados para as montanhas negras, envolvidas pelo robe vermelho de Apolo para além das quais ficariam para sempre, lá longe, as lindas terras da Grécia e da Macedónia.

Disse-me o Ventor que, cada cavalgada que o Antar fazia rumo à retaguarda, na tentativa de ir ajudando alguns macedónios e gregos, todos os que encontravam mortos, estavam com as suas faces viradas para Oeste.

 

Caminhadas do Ventor, por Trilhos de Sonhos e de Ralidades, cujas histórias contou ao Quico e o Quico contou-as, para vós, brincando. Foi sob o Tecto do seu amigo Apolo que aprendeu a conhecer os seus amigos, ... como o porco

Ventor

Divulga também a tua página

publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 16:08