Todos esses nomes se referem à cidade de Bruges e à mesma pessoa!

Mas, para nós, os portugueses, ela, tal como sua avó, chamava-se Teresa ou, como então se dizia, Tarasia - Tarasia de Portugal.

A D. Tarasia de Portugal, nasceu em 1157 e terá morrido em 1216 ou 1218 (são duas datas referenciadas para a sua morte), na queda de um cavalo, na Flandres. Era filha de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda de Sabóia, sua esposa.

 

 

 D. Afonso Henriques, Rei de Portugal

 

Teresa, Princesa de Portugal, foi aquilo que se poderá chamar, uma bela enfermeira, para seu pai, depois dele ter partido uma perna no cerco de Badajoz. Um dia, passou por Portugal, um Filipe, Conde da Flandres, rumo à Palestina e, julga-se que terá tido a sua paixoneta por Tarasia (então com 27 anos), uma bela princesa, filha de Portugal e de Sabóia, de D. Afonso I, de Portugal e de D. Mafalda de Sabóia.

 

Mais tarde, pediu, a D. Afonso Henriques, a mão da sua filha Teresa (agora com 33 anos) e, como Filipe conde da Flandres, filho do Duque da Alsácia, de nome Thiérry, era um dos poderosos da Europa de então, D. Afonso, acedeu à pretensão de Filipe que, cerca de 6 anos depois de a conhecer, de regressar da Palestina, de ter ficado viúvo e de ter o consentimento de D. Afonso, enviou uma "esquadra" composta por naus e bem recheada de senhores e cavaleiros, para transportar a princesa para a Flandres. A princesa terá sido bem apetrechada por D. Afonso Henriques, com um dote digno de uma princesa de Portugal. Porém, os piratas normandos estavam muito activos e tentaram assaltar a armada flamenga mas, não tiveram sorte porque Filipe, que dormia pouco, apanhou os piratas normandos e enforcou-os, todos, na costa.

 

O casamento realizou-se, na catedral de Bruges, em Agosto de 1184. Filipe dotou a sua noiva com várias terras e povoações, entre elas, Bruges e Gand, duas belas cidades da Flandres de então e creio que ainda hoje.

 

 

 Brasão de Armas de Bruges, na Flandres

 

Porém, Filipe, contraiu a peste em Jerusalém e morreu em 1191, sem deixar herdeiros. Três anos depois, a viúva condessa da Flandres, a tal Tarasia, Matilde ou Mahaut, voltou a casar com o então Duque da Borgonha, Eudo III (ou Odo III), seu primo e, para azar dos dois, também não tiveram filhos. Obteve de Roma, do Papado, claro, a autorização para anulação do casamento, devido à consanguinidade (?).

 

Tarasia, Teresa, Matilde ou Mahaut, regressou à Flandres onde continuou a sua actividade em defesa do seu Condado, chegando, segundo se diz, por aí, a comandar as suas tropas. Se foi ou não, não sei, foi numa altura que eu, Ventor, caminhava por outras galácticas e não posso confirmar mas, que ela tinha a fibra do pai, não tenho dúvidas.

Não é por acaso que, deixou tal fama às gentes de Bruges, revelada na Paz e na Guerra que, ainda hoje, centenas de anos depois, aparece sempre a cavalo, num estandarte, com o brasão e as quinas de Portugal, a nobre figura da Condessa Mahaut! Isto, durante a procissão do Santo Sangue de Cristo que se realiza, em Maio, todos os anos, na bela cidade de Bruges.

 

 

Uma flor chamada, Mahaut, pelos flamengos

 

Pelo que sabemos de ti Teresa, Tarasia, Matilde ou Mahaut, terás tido uma vida atribulada. Partiste do Porto, com os flamengos, nunca mais viste teu pai, o grande Afonso que faleceu no ano seguinte, terás chorado só, acompanhada apenas pelas brumas do Mar do Norte e tanto quanto creio, não mais voltaste a rever o solo pátrio. A tua Pátria era o sol, o nosso amigo Apolo que nos acompanha, sempre, enquanto pode. Um dia, ele fecha os olhos, nós levantamos o braço e dizemos adeus. Mas tu continuas viva, Condessa Mahaut!

 

Tal como os flamengos, estamos contigo, Condessa Mahaut!

 

Nota: os nomes, Matilde, Matilda, Mahaut, eram os nomes que os flamengos usavam para identificar a Princesa de Portugal, sua Condessa porque, não eram capazes de pronunciar o seu nome português, Tarasia. Por isso nos dizem que, no seu estandarte, utilizado na festa do Santo Sangue de Cristo, ela aparece como Condessa Mahaut, aquela a quem os flamengos chegaram a chamar rainha.

Caminhadas do Ventor, por Trilhos de Sonhos e de Ralidades, cujas histórias contou ao Quico e o Quico contou-as, para vós, brincando. Foi sob o Tecto do seu amigo Apolo que aprendeu a conhecer os seus amigos, ... como o porco

Ventor

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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:15