Caminhar nos Séculos ...

...e sonhando, juntamente com a Wikipédia.

A Grande Caminhada do Ventor

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O Ventor, saído da Idade do Gelo, nos tempos difíceis do passado de míngua, aquecido pelos raios do seu amigo Apolo, tentando levar o porco nas suas belas caminhadas

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Playlist de vídeos de Músicas que me contam histórias, no Portal Quico97

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Os Cossacos

13.01.12

De onde vieram e para onde foram os nossos conhecidos Cossacos?

 

 

Os Cossacos são nascidos e criados nas estepes. A sua origem estará nos territórios que hoje constituem a Ucrânia. Pelo menos foi por aí que eles começaram a ser conhecidos.

Porém, os Cossacos, os Rutenos, povos das estepes da Europa do Leste, foram sobrevivendo através dos séculos do segundo milénio A.D. num emaranhado de batalhas, de guerras, de todas as espécies de confrontos, nesse espaço, onde várias culturas e poderes se confrontavam todos os dias. 

 

Os Cossacos serão, provavelmente, de origem rutena ou, caminharam juntos nas mesmas estepes e fizeram parte das mesmas lutas. Os rutenos, tal como os Cossacos, eram trabalhadores dos campos que lutavam para sobreviver. Os camponeses rutenos e cossacos estavam amarfanhados por um tal poder aristocrático da República das duas Nações que os submetia a uma autêntica escravatura. Os aristocráticos negociavam os alugueres dos seus "latifúndios" com judeus que, por sua vez, usavam os rutenos e os Cossacos, praticamente, como escravos, nos trabalhos campestres. Eles partilharam as mesmas estepes, os mesmos rios, as mesmas planícies.

 

 

Oboz_Zaporozcow

Cavalgando guerras e músicas, nas estepes da sobrvivência

 

Uns e outros, entrechocaram-se com todos os povos que caminharam nas estepes russas, polacas, búlgaras, ucranianas, ... e, para seu desencanto, acabaram por enfrentar todos eles e ainda, os tártaros que avançaram sobre a Europa de Leste, vindos das estepes asiáticas empurrados pelos mongóis de Gengiscão e seus sucessores. As invasões mongólicas, trouxeram com eles os tártaros, amigos de estimação dos cossacos que se foram digladiando nos confrontos das religiões cristãs, romana e ortodoxa, contra a religião muçulmana dirigida contra a Europa pelos turcos otomanos. Foi numa imensa caldeirada de culturas que os Cossacos foram sobrevivendo.

 

Na sua caminhada de séculos, os rutenos e os cossacos, fizeram parte como povos, da República das duas Nações que dominou um somatório de territórios e povos que hoje, fazem parte da Polónia, da Bielorrússia, da Ucrânia, da Lituânia, da Estónia e parte da Rússia Ocidental, os chamados Oblasts (províncias) de Smolesk e Kaliningrado.

 

 

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A revolta dos Cossacos, entrada em Kiev de Bohdan Khmelnytskys

 

Quando já nada havia a fazer, os Cossacos, acabaram por se revoltar, comandados por Bodhan  Khmelnytsky que disse que os polacos os venderam como escravos aos judeus e, na sequência dessa revolta, foram mortos pelos Cossacos imensos judeus e os grandes senhores da República das duas Nações que, então, administravam os territórios ucranianos.

Embora os Cossacos fossem derrotados, em 1651, na Batalha de Beresteczko, essas revoltas serviram de protesto para a intervenção dos russos e dos suecos que invadiram a República das duas Nações, espartilhando-a, entre as duas nações intervenientes - Leste, para a Rússia e Oeste, para a Suécia. Porém, essas ocupações foram de pouca dura. Os suecos foram derrotados e expulsos, em 1657 e os russos, em 1662.

 

A República das duas Nações, tinha sido constituída pela União de Lublin, em 1569, unindo o Reino da Polónia e o Grão-Ducado da Lituânia e, devido a tratados e casamentos, durou nesta forma até à Constituição de 1791.

 

Saídos das liças bélicas e dos tratados polaco-russos, os Cossacos passaram a ficar, na sua maioria, sob influência do Império russo e com o andamento do tempo, os cossacos foram espartilhados por várias árias russas. Grupos diferentes de Cossacos foram assomando a várias regiões do Império Russo, entre elas, Sibéria, Baikal, Ural, Don, .... Eles foram a ponta de lança da conquista da Sibéria pelos russos e desempenharam grande papel na sua colonização.

 

 

Surikov_Pokoreniye_Sibiri_Yermakom

Os Cossacos ajudaram a conquistar a Sibéria

 

Os Cossacos tornaram-se bem conhecidos da Europa Ocidental, nos meados do Séc. XVII, devido à revolta de Bohdan Khmelnytsky e dos Zaporozhianos, contra a República das duas Nações, em território hoje ucraniano e consideram-se os Cossacos, como os verdadeiros fundadores da Ucrânia...

 

Os Cossacos, tiveram uma grande influência na Europa centro-leste dos séculos passados, especialmente, as suas forças de cavalaria, que lutaram intensamente contra as forças tártaras do Império Otomano, levando as suas escaramuças até aos arredores de Istambul. Eles constituíram corpos de cavalaria nas estepes, ao serviço da Ucrânia quando esta fazia parte da República das Duas Nações e dos russos à medida que eram integrados nos seus domínios territoriais.

  

Segundo informações dos últimos sensos, não há números exactos dos Cossacos existentes actualmente, mas estimam-se a existência de alguns milhões e saídos deles, 150.000 nas forças armadas da Rússia.

Nas Forças Armadas Russas dos últimos 3-4 séculos, os Cossacos tiveram papéis determinantes nas guerras em que a Rússia interveio, contra o Império Otomano, contra a Pérsia, nas lutas pelo domínio da Sibéria Central, nas invasões napoleónicas e outras.

 

 

 Wesele_Kozackie

Cavalgadas de guerras e cavalgadas de músicas

 

Na Guerra Civil russa, os Cossacos, como entidade colectiva, não participou em nenhum dos lados mas, muitos Cossacos acabaram por alinhar ao lado dos Russos Brancos uns e dos Bolcheviques, outros.

O que ressalta dos Cossacos é, como rezam as suas caminhadas históricas, a desenvoltura das suas hostes de cavalaria contra os seus inimigos, otomanos e outros, como militares e a beleza das suas cavalgadas musicais, ao lado das suas armaduras, tambores, balalaicas e outros instrumentos musicais, cavalgando as suas músicas pelas estepes das suas regiões.

 

 

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Caminhadas do Ventor, por Trilhos de Sonhos e de Ralidades, cujas histórias contou ao Quico e o Quico contou-as, para vós, brincando. Foi sob o Tecto do seu amigo Apolo que aprendeu a conhecer os seus amigos, ... como o porco

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publicado por Quico e Ventor às 12:33

Após a Travessia do Estreito, pelos Árabes

02.11.11

Como o Ventor me contou, as eleições do novo rei visigodo, depois da morte do rei Vitisa, deram a vitória a Rodrigo que foi votado maioritariamente para rei dos visigodos. Porém, a facção adversária do Agila II, que saira vencida (ninguém gosta de perder) não aceitou a derrota e enviaram emissários além do Estreito de Gibraltar, pedir ajuda a Tarik Ibn-Ziad, então o governador muçulmano daquela região do Norte de África.

 

 

Mesquita Catedral de Córdoba, vídeo tirado do Youtube

 

Os muçulmanos, tinham no Califa a sua entidade máxima, política e religiosa. Nesta altura, toda a autoridade formal do islão era dirigida pelo Califado de Damasco, a que chamaram de Dinastia Omíada e que vigorou de 651 até 750. Portanto, esse tal Tarik Ibn-Ziad, governava um território no norte de África onde se incluía Marrocos, exceptuando Ceuta, que tinha um governador submetido ao império do Oriente e dependia de Constantinopla. O assalto dos muçulmanos à Península Ibérica, não se terá devido exclusivamente ao pedido de ajuda pelos apoiantes de Agila II. Este pedido, ter-se-á devido a outras razões políticas, como o dever muçulmano de defender os cristãos e os judeus que eram obrigados pela força a submeter-se ao cristianismo e, também o Governador de Ceuta terá dado um empurrãozinho ao avanço de Tarik.

 

 

Uma foto da ponte romana de Córdoba e da mesquita-catedral, tirada da Wikipédia. "S'autoritza la còpia, la distribució i la modificació d'aquest document sota els termes de la llicència de documentació lliure GNUversió 1.2

 

Gerou-se assim, um movimento militar e populacional, vindo do Norte de África, comandado pelo general Tarique, em 711, que invadiu a Península Ibérica, chegando a 30 de Abril de 711. Disse-se, então, que Tarique, teve a ajuda do Governador de Ceuta que lhe terá fornecido os barcos para atravessar o Estreito, e que, depois de se encontrar na Andaluz, mandou incendiar os barcos e fez um discurso para os seus homens a exortá-los de que atrás só tinham mar e, em frente, só os esperava um poderoso inimigo e, tal como ele só teriam a espada para se defenderem, mas que o teriam a ele, Tarik, sempre na linha da frente, onde perigo seria maior.

 

Em 30 de Julho de 711, três meses depois, enfrentou os cristãos visigóticos liderados pelo rei Rodrigo, que foram derrotados na Batalha de Guadalete, desenrolada nas margens deste rio, pondo termo ao reino visigodo de Toledo.

Após a vitória de Guadalette e até 756, os muçulmanos, dirigiram-se para Toledo, a capital do reino de Rodrigo e foram conquistando grande parte da Península Ibérica, palmo a palmo, e estabeleceram um emirato, dependente do Califado Omíada de Damasco.

 

Mas a história é  constituída de voltas e reviravoltas. Constou-se que Rodrigo não terá morrido na Batalha de Guadalete, mas sim em 714, numa terra chamada Feital (Trancoso, Distrito da Guarda). Rodrigo terá sido expulso da Andaluzia e ter-se-á refugiado na Lusitânia, para reconstruir o seu reino e contra-atacar os muçulmanos. Em Feital, foi descoberta uma sepultura com uma inscrição: «Aqui jaz Roderico, rei dos Godos" que ainda se conservava no séc. XVIII, na Igreja  de S. Miguel de Feital.

 

 

 

A floresta de colunas na mesquita de Córdoba

 

À medida que os muçulmanos penetravam pelo interior da Espanha até Toledo, os nobres visigodos, iam recuando e se reorganizando para a luta contra os sarracenos mas, na verdade, eles só pararam nos vales e encostas das altas montanhas da Cantábria e das Astúrias. Pela história não saberemos as origens de Pelágio, pois não temos documentos que o confirmem. Não sabemos se era nobre visigodo, se era natural das Astúrias, galego, ou duque da Cantábria, parente de Rodrigo. Mas sabe-se que foi aprisionado por Munuza em 716 e enviado para Córdoba. Porém Pelágio, um lutador, fugiu e regressou a Cangas Donis, onde foi eleito rei, enquanto os sarracenos continuavam a roubar ou a destruir populações, por toda a Espanha.

 

 

Uma beleza este slideshow tirado da Fotopédia

 

Córdoba, no tempo do Califado, entre 929 e 1031, atingiu o seu apogeu. Chegou a ser a maior cidade da Europa e comparável às mais importantes do mundo de então, como Constantinopla, Damasco, Bagdad, Cairo, ... nos primeiros três séculos de influência muçulmana.

De 711 a 756, tempo de invasão e conquista, os muçulmanos estabeleceram um emirato dependente de Damasco mas, foi no tempo do Califado que Córdoba se tornou a maior cidade com mais de um milhão de habitantes. Quando os romanos chegaram a Córdoba, encontraram um povoado que conquistaram, em 206, A.C. Os romanos construíram a célebre ponte romana que atravessa o rio Alquivir, em Córdoba e, mais tarde, os árabes tiveram de a reconstruir. Em 716, cerca de cinco anos após a batalha de Guadalete, Munuza, o comandante e governador muçulmano no Norte da Ibéria, prendeu Pelágio e um grupo de cristãos, que enviou prisioneiros para Córdoba mas, Pelágio conseguiu fugir de Córdoba e regressou a Cangas Donis onde, depois de ter sido eleito rei dos cristãos resistentes das Astúrias, organizou um exército para lutar com os mouros e acabou por derrotar os muçulmanos comandados por Munuza, em duas batalhas, em Covadonga e, posteriormente, em Proaza.

Continuaremos na peugada dos muçulmanos, pela Península Ibérica.

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publicado por Quico e Ventor às 21:23

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Foto tirada da Wikipédia, de autoria de SimonWakefield

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